Os impactos ambientais devem se agravar nas próximas décadas se mantido o atual modelo econômico, com perda de até 4% do Produto Interno Bruto (PIB) global até 2050, avanço da imigração forçada e aumento da mortalidade ligada à poluição do ar. A previsão consta na página 29 do relatório "A future we choose" – Um futuro que escolhemos, em português – do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
O documento aponta, na página 63, que o avanço desses impactos está diretamente relacionado aos modos de vida adotados nas últimas décadas. Desde 1960, o consumo per capita quadruplicou e, em 2023, economias avançadas passaram a consumir cerca de 70% acima da média global. Esse movimento acompanha o crescimento da renda e a consolidação de estilos de vida mais intensivos em recursos naturais, ampliando a pressão sobre ecossistemas e elevando os níveis de emissão.
Nesse contexto, o relatório indica, ainda na mesma página, que estratégias voltadas à demanda podem alterar significativamente essa trajetória. A revisão de práticas em setores como edificações, transporte e alimentação tem potencial para reduzir entre 40% e 70% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2050. A reorganização desses sistemas, combinada a escolhas mais conscientes, aparece como um dos principais caminhos para conter o avanço da crise climática.
O documento também destaca que soluções técnicas, isoladamente, não são suficientes para promover mudanças duradouras. Iniciativas que incorporam valores de cuidado com a natureza, conhecimentos e saberes locais, aliados a fatores socioculturais, desempenham papel relevante na indução de novos comportamentos.
Para Daniel Maximilian Da Costa, fundador e principal executivo do Latin American Quality Institute (LAQI), o debate ambiental precisa sair do campo das intenções e ganhar materialidade nas decisões cotidianas, inclusive no ambiente corporativo. Ele avalia que datas, como o Dia da Mãe Terra (22 de abril), por exemplo, cumprem um papel relevante ao provocar reflexão e dar visibilidade ao tema, mas que precisam ser acompanhadas de ações consistentes ao longo do tempo.
"Não existe mais espaço para dissociar crescimento econômico de responsabilidade ambiental. O mundo empresarial tem capacidade de liderar mudanças concretas, seja na forma como produz, consome ou se relaciona com a cadeia de valor. Mais do que uma escolha, trata-se de uma necessidade: alinhar estratégia e sustentabilidade é o único caminho viável para garantir competitividade, relevância e permanência no longo prazo", finaliza.
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