O paisagismo vem ganhando espaço na concepção de empreendimentos imobiliários, deixando de ser tratado apenas como elemento estético e passando a integrar decisões relacionadas ao conforto ambiental, à experiência dos usuários e ao desempenho dos projetos. Segundo artigo publicado pela Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico (ADIT Brasil), a incorporação do paisagismo desde as primeiras etapas do empreendimento pode contribuir para o desempenho ambiental, a percepção de valor e a experiência dos usuários.
A tendência também aparece no mercado global de serviços de paisagismo e jardinagem. De acordo com relatório da Mordor Intelligence, o setor movimentou US$ 118,5 bilhões em 2025 e a projeção é de que alcance US$ 169,36 bilhões até 2031, com crescimento anual composto de 6,13% entre 2026 e 2031. O estudo aponta a crescente urbanização, o desenvolvimento de infraestrutura e a conscientização ambiental como fatores que impulsionam essa demanda.
Com atuação voltada ao desenvolvimento urbano da Região Leste de São Paulo, a Porte incorpora o paisagismo à concepção de seus empreendimentos como parte da relação entre os projetos, as pessoas e o território. A estratégia inclui a criação de áreas de convivência, a presença de vegetação e o uso de soluções que aproximam os espaços construídos da natureza. Entre elas estão o uso de espécies nativas ou adaptadas ao clima local, áreas permeáveis e estratégias associadas à biofilia, conceito que busca ampliar a presença de elementos naturais nos ambientes construídos.
"O paisagismo precisa ser pensado em conjunto com a arquitetura e com as características do território. Quando isso acontece desde o desenvolvimento do projeto, conseguimos trabalhar a vegetação não apenas como composição visual, mas também na criação de espaços de convivência, no conforto e na relação das pessoas com o ambiente", afirma Mila Soares, diretora de Incorporação da Porte.
Dois empreendimentos da companhia exemplificam essa abordagem. No Figueira Altos do Tatuapé, o projeto paisagístico, assinado por Renata Tilli, teve como ponto de partida a preservação da árvore que dá nome ao empreendimento, integrada às áreas abertas de convivência. O projeto também contempla áreas permeáveis e vegetação nativa ou adaptada. Já no Urman São Paulo, assinado pelo escritório Tagu Paisagismo, espécies nativas conectam os diferentes usos do complexo, enquanto a água da chuva é aproveitada para irrigação e lavagem das áreas comuns.
A Porte também conta com projetos assinados por outros profissionais de destaque: André Paoliello, responsável pelo paisagismo da Praça Japi, e Benedito Abud, responsável pelo projeto do Crona 665. No Artem, o projeto é assinado pelo escritório Raul Pereira Arquitetos Associados (RPAA). O empreendimento conta com bosque privativo, pista de caminhada e áreas de convivência, além da integração do paisagismo com a mata local existente.
"Cada projeto é único e pede escolhas que façam sentido para sua proposta, seu entorno e para as pessoas que vão utilizar aquele espaço. Buscamos entender qual experiência aquele ambiente deve proporcionar e quais características podem torná-lo mais integrado à vida das pessoas. O paisagismo entra nesse processo como uma ferramenta de projeto, capaz de dar identidade a cada empreendimento e, ao mesmo tempo, criar uma relação mais natural entre os espaços privados e a cidade", conclui Mila.
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