A transformação do mercado de trabalho deixou de ser pontual e passou a ser estrutural. Em um cenário marcado por disrupções tecnológicas, volatilidade econômica e escassez de talentos, empresas ao redor do mundo estão redesenhando seus modelos de força de trabalho.
É o que revela o Flex The Mould Report, estudo global da multinacional italiana Gi Group Holding, especializada em soluções para o mercado de trabalho, a partir de levantamento da empresa com 10 mil trabalhadores em 20 países e pesquisa da Confederação Mundial do Emprego com 715 executivos seniores. Segundo o estudo, 92% dos empregadores afirmam que precisarão construir uma força de trabalho mais flexível e adaptável nos próximos dois anos.
A análise mostra que o planejamento de talentos nunca foi tão desafiador: 80% dos empregadores reconhecem aumento da complexidade na gestão da força de trabalho. Pressões salariais, instabilidade econômica e rápida evolução tecnológica tornam os modelos tradicionais, baseados exclusivamente em quadros permanentes, menos eficientes diante de oscilações de demanda.
Nesse contexto, cresce a adoção de estratégias de força de trabalho mista, combinando profissionais permanentes, temporários, freelancers e especialistas por projeto. Segundo a pesquisa, 88% das empresas planejam ampliar a contratação por meio de agências, buscando principalmente agilidade, escalabilidade e redução de riscos operacionais.
A inteligência artificial (IA) é um dos principais vetores dessa mudança. O estudo aponta que 87% dos empregadores acreditam que IA e automação exigirão revisão profunda das habilidades utilizadas nas organizações. Ao mesmo tempo, 78% temem não conseguir treinar suas equipes na velocidade necessária.
"Percebemos claramente no estudo que flexibilidade não é mais um ‘benefício moderno’. É a forma como as empresas precisam operar para sobreviver. Quando combinamos modelos híbridos, profissionais sob demanda e estruturas mais distribuídas, a organização ganha velocidade para lidar com o imprevisível", afirma o diretor da Gi Group Fábio Nogueira.
Segundo ele, o movimento não significa substituição de equipes fixas, mas integração estratégica. "No fim das contas, flexibilidade não é improviso, é arquitetura organizacional", pontua.
O relatório também destaca a crescente mobilidade internacional como resposta à escassez de talentos. Globalmente, 88% dos empregadores planejam contratar trabalhadores no exterior. Setores como saúde, tecnologia, logística e construção civil já estruturam estratégias globais para suprir lacunas críticas.
Do lado dos profissionais, as expectativas também mudam. Até 2028, os trabalhadores projetam maior flexibilidade de horário e local, aumento de contratos de curto prazo e foco intensificado em aprendizado contínuo. A estabilidade deixa de estar vinculada a um cargo permanente e passa a estar associada à adaptabilidade.
Para a Gi Group, a flexibilidade deixou de ser tendência e se tornou diferencial competitivo. Em um ambiente de incerteza permanente, organizações que estruturarem modelos dinâmicos de gestão de talentos estarão mais preparadas para sustentar crescimento e inovação.
Metodologia
O Flex The Mould Report, da Gi Group Holding, foi elaborado a partir de duas pesquisas globais complementares: a Pesquisa Global de Candidatos 2025, conduzida com 10 mil trabalhadores em 20 países, e o estudo The Work We Want, da Confederação Mundial do Emprego, que ouviu 715 executivos seniores em diferentes mercados. A análise combina percepções de empregadores e profissionais para mapear tendências estruturais, desafios de qualificação e estratégias de planejamento da força de trabalho em um cenário de transformação acelerada.
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