Cuiabá, MT – A situação da ocupação de terras na região do Contorno Leste, em Cuiabá, aumentou para um intenso conflito verbal na Assembleia Legislativa. O debate sobre a legalidade e o futuro dos ocupantes expôs visões antagônicas e culminou em acusações diretas entre parlamentares.
O estopim do debate foi o pronunciamento do deputado Gilberto Cattani (PL), que classificou a ocupação como uma violação do direito à propriedade. "Não podemos entender que existe um programa habitacional que começa com uma invasão de propriedade privada. Tem que ser retirado da área", declarou Cattani, sendo recebido com vaias das galerias.
O parlamentar apoiou sua posição ao mencionar o assassinato do proprietário da área, João Pinto, e diferenciar a ocupação de assentamentos legítimos. "Um assentamento é uma área legítima, comprada pelo governo federal. O que existe hoje é vagabundagem que só leva terror ao campo", afirmou, criticando o que considera uma deturpação da reforma agrária.
A fala de Cattani foi rebatida pelos deputados Wilson Santos (PSD) e Valdir Barranco (PT), gerando um "bate-boca", onde o petista acusou o colega de ter se aproveitado de programas de reforma agrária no passado e agora atacar aqueles que ainda lutam pelo direito a propriedade.
A ocupação em questão começou em janeiro de 2023, em uma propriedade pertencente à família de João Antônio Pinto desde a década de 1960. O caso já passou pela análise do Judiciário, que envolveu uma ocupação como esbulho possessório (ato de tomar posse de forma violenta ou clandestina) e determinou uma reintegração de posse aos proprietários.
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