Os credores do Grupo Vitória Agronegócios aprovaram, em 14 de julho de 2026, o plano de recuperação judicial que reorganiza um passivo com valor de causa de R$ 895 milhões. A decisão ocorreu em assembleia geral de credores, em segunda convocação, no processo que tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais.
Pela proposta aprovada, os deságios, ou descontos aplicados sobre o valor das dívidas, foram escalonados conforme o montante de cada crédito. Os créditos menores têm percentuais de desconto mais baixos, e o índice aumenta à medida que o montante da dívida cresce, chegando a 85% nas faixas mais altas.
O plano também prevê prazos de pagamento estendidos, com carência de até quatro anos para alguns credores e parcelamentos que, em parte das dívidas, se estendem por até cerca de duas décadas. A proposta foi aprovada pela maioria dos credores presentes à assembleia.
De acordo com a petição inicial da recuperação, o Grupo Vitória Agronegócios tem origem na atividade rural da família Cordeiro, com presença na região de Paracatu desde o século XIX. Constituída formalmente em 2004, o grupo informa, no mesmo documento, operar 11 unidades produtivas, reunir mais de 25 mil hectares e empregar cerca de 200 colaboradores diretos. Ainda segundo a inicial, a crise financeira decorreu de fatores como perdas de safra por eventos climáticos, queda nos preços das commodities, alta no custo dos insumos, encarecimento do crédito rural e a suspensão de linhas do Plano Safra 2024/2025, em fevereiro de 2025.
A defesa do grupo é conduzida pelo escritório Frange Advogados, responsável pela elaboração do plano de recuperação judicial. Segundo o advogado Antonio Frange Junior: "A aprovação estabelece as condições para a reestruturação do grupo, com a renegociação do passivo e a manutenção da atividade e dos empregos".
Com a aprovação em assembleia, o plano segue para homologação pela 1ª Vara Cível de Paracatu, etapa necessária para que produza efeitos em relação a todos os credores. Em seguida, o grupo inicia a execução das condições aprovadas.
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