O câncer, que há uma década representava, em muitos casos, uma sentença de morte, hoje é tratado como uma doença crônica para diversos tipos da enfermidade. A mudança de patamar é resultado direto da evolução da medicina personalizada, das terapias-alvo e, mais recentemente, da ampliação do acesso proporcionada pelos medicamentos biossimilares, produtos com eficácia e segurança comprovadas e com custo até 70% menor que os biológicos de referência.
No Brasil, onde o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, a chegada desses medicamentos ao mercado representa não apenas inovação, mas uma virada no acesso da população a tratamentos de alta complexidade. O Laboratório Teuto, com sede em Anápolis (GO) e quase oito décadas de atuação, é uma das empresas que ajudam nesta transformação.
No segmento oncológico desde 2024, a farmacêutica já figura entre as dez maiores indústrias no Brasil, segundo ranking da Pharma Skills, com portfólio que inclui os biossimilares Simbeva (bevacizumabe) e Pegneucyte (pegfilgrastim), este último utilizado no tratamento de infecções em pacientes submetidos à quimioterapia. "Os biológicos hoje entram no Brasil muito mais fortes, e essa foi a porta de entrada do Teuto na oncologia", destaca Milton Rui Filho, Diretor Comercial do Teuto Especialidades.
Segundo ele, a aprovação de biológicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é extremamente criteriosa. "Se o Teuto está nesse mercado hoje e consegue figurar entre os grandes laboratórios que trabalham com produtos oncológicos, é porque nós avançamos muito em dois anos", afirma.
Acesso e redução de custos
Um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Economia da Saúde aponta que a substituição de biológicos de referência por biossimilares pode gerar economia de até 71,1%. Em um cenário de aumento contínuo da demanda, essa redução de custos é determinante para viabilizar o tratamento de milhares de pacientes.
"Enquanto muitos laboratórios estão mais preocupados em trazer produtos com valor agregado muito alto, o que restringe a utilização, o Teuto quer trazer o produto em grande escala para fazer com que a população tenha um tratamento com custo acessível diante de uma doença tão sofrida", reforça Milton Rui Filho.
O diretor destaca ainda a consolidação da linha de biossimilares do Teuto na rede privada e expansão para a rede pública. "Quando você aumenta a produção e sua capacidade de planejamento, diminui muito qualquer tipo de percalço para ruptura de produto. É tudo uma questão de planejamento e conhecimento de mercado", destaca.
O Teuto, que construiu um legado nas farmácias e drogarias com o genérico, busca repetir a trajetória no segmento hospitalar. "Estamos pensando no paciente oncológico. A transição do câncer de doença fatal para condição crônica controlável depende tanto da inovação científica quanto da capacidade de levar essas inovações à população, nesse campo, a indústria nacional, representada por empresas como o Teuto, tem papel central", conclui o diretor.
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