A inteligência artificial promete reduzir o tempo empregado na elaboração de peças, na análise de documentos e na pesquisa jurídica. Parte desse ganho, porém, pode desaparecer quando o profissional precisa interromper o trabalho para verificar se cada processo citado existe, se o trecho atribuído ao tribunal está correto e se o entendimento encontrado continua vigente. Para a advocacia, a nova conta da produtividade não envolve apenas quanto a IA consegue produzir, mas quanto tempo ainda é necessário para confiar no resultado.
O Future of Professionals Report 2025, da Thomson Reuters, estima que profissionais jurídicos poderão liberar aproximadamente 240 horas de trabalho por ano com o uso de inteligência artificial, ante 200 horas estimadas no levantamento anterior. Já o AI in Professional Services Report 2026 mostra que 40% dos entrevistados afirmam que suas organizações utilizam inteligência artificial generativa, quase o dobro dos 22% registrados no ano anterior. Apesar do avanço, apenas 18% dizem que suas organizações medem o retorno obtido com a tecnologia.
Na rotina jurídica, um dos custos menos visíveis está entre a resposta gerada e o documento que pode efetivamente ser protocolado. Uma citação aparentemente completa pode exigir a abertura de diferentes sistemas para confirmar número do processo, órgão julgador, relator, data, conteúdo do acórdão e eventual superação do entendimento.
Entre os problemas possíveis estão processos inexistentes, trechos que não constam da decisão original, atribuição do julgamento ao tribunal errado, utilização de ementas fora de contexto e precedentes antigos que perderam validade. Quanto mais referências uma peça contém, maior pode ser o trabalho de conferência.
O risco deixou de ser apenas uma hipótese. Em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça identificou erros e aparentes alucinações de IA em um pedido de habeas corpus. Segundo o STJ, a petição continha referências incorretas a precedentes e trechos de julgados inexistentes. O relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, determinou a comunicação do caso à Ordem dos Advogados do Brasil. Ao tratar do episódio, o magistrado ressaltou que o problema não estava no uso da tecnologia em si, mas na ausência de verificação humana do conteúdo produzido.
O alerta também passou a fazer parte das orientações profissionais. Em publicação de 2 de julho de 2026, a OAB do Rio de Janeiro explicou que as chamadas alucinações podem incluir decisões inexistentes, dados incorretos e citações de leis ou artigos que nunca foram criados. A entidade reforçou que a responsabilidade pela revisão e pela qualidade do trabalho continua sendo do advogado. Em sua cartilha para o uso ético da IA na prática jurídica, a seccional recomenda revisar integralmente o texto gerado, checar jurisprudência e legislação, adequar a argumentação ao caso concreto e assumir responsabilidade pelo conteúdo final.
Para Anderson Santos, fundador da legaltech Jusratio, o tempo economizado não deve ser medido apenas pela velocidade com que a inteligência artificial apresenta uma primeira resposta. "A produtividade real aparece quando o advogado recebe uma informação que consegue conferir sem refazer toda a pesquisa. Se ele precisa procurar cada processo em diferentes páginas, localizar o inteiro teor e descobrir sozinho se o precedente continua válido, uma parte importante do ganho prometido pela IA já foi consumida", afirma.
Desenvolvido no Brasil, o Jusratio atua como uma camada de pesquisa jurídica conectada às ferramentas de inteligência artificial que o profissional já utiliza. Em vez de oferecer apenas uma resposta textual, o sistema entrega referências acompanhadas de dados como número do processo, tribunal, relator, data e link para a fonte original. A solução também combina pesquisa semântica e busca por termos jurídicos exatos, sinaliza limitações de cobertura e monitora a possibilidade de superação de decisões. A proposta é reduzir o percurso entre a resposta da IA e a validação necessária antes de utilizar uma jurisprudência.
O avanço da inteligência artificial indica que a revisão humana continuará indispensável, mas não precisa ser sinônimo de reconstruir manualmente toda a pesquisa. Para profissionais que já usam IA na elaboração de peças, o critério passa a ser a rastreabilidade: quanto menor a distância entre uma afirmação e sua fonte primária, maior a possibilidade de transformar velocidade em produtividade real.
Sobre a Jusratio
A Jusratio é uma legaltech brasileira voltada à integração entre ferramentas de inteligência artificial e bases jurídicas de jurisprudência e legislação. A Jusratio se conecta à IA que o advogado ou profissional do direito já usa, sem precisar contratar uma ferramenta jurídica à parte. A empresa desenvolve soluções que buscam ampliar a rastreabilidade das informações utilizadas em pesquisas jurídicas realizadas com apoio de modelos de IA. Para testar a solução, o Jusratio disponibiliza acesso gratuito em seu site www.jusratio.com.br.
Tecnologia BelEnergy incorpora baterias SecPower ao portfólio
Tecnologia A NR-1 muda as regras, mas a transformação é cultural também
Tecnologia EMEET lança webcam 4K flagship C960 Ultra no Brasil
Tecnologia Varejo ganha plataforma de ativação comercial em tempo real
Tecnologia Sistema para cantina escolar amplia gestão digital
Tecnologia Empresas apostam em brindes úteis para fortalecer marcas Mín. 23° Máx. 37°
Mín. 22° Máx. 36°
Tempo limpoMín. 21° Máx. 38°
Tempo limpo
Naime Márcio Martins Moraes A fraude da República brasileira: poder para elite e quem paga a conta é o povo
Léo Bortolin Vitória para Mato Grosso. Conquista para o Brasil!
Paula Calil Um ano de responsabilidade, diálogo e transparência à frente da Câmara de Cuiabá
Giovanna Burton Suspensão de processos de atraso e cancelamento de voo: o dever de indenizar está em risco?