Dia 25 de novembro de 2025 a Itália aprovou a pena de prisão perpétua para casos de feminicidio. No dia seguinte, no Brasil, mais precisamente em Mato Grosso, um desembargador anulou o júri de um acusado de tentativa de feminicidio sob o argumento de que o mesmo teria desistido do assassinato. O réu agrediu sua companheira reiteradas vezes com uma barra de ferro e ela teve que pedir ajuda aos vizinhos para conseguir ser salva.
Não gosto de citar a famigerada “síndrome de vira-lata” mas acredito que neste aspecto, nosso país deveria aprender com países estrangeiros. Em 2025 o Brasil registrou uma média de 10 (dez) mulheres assassinadas por dia.
Recentemente os cidadãos mato-grossenses ficaram estarrecidos com a denúncia de uma jovem nas redes sociais em que a mesma publicou imagens de agressão física e sexual por parte de seu ex-companheiro.
O que torna o caso mais chocante, é o fato de que a vítima já havia denunciado o agressor há aproximadamente 7(sete) meses antes e as autoridades não tomaram as medidas cabíveis.
Em 2025 a pena máxima para o feminicidio foi aumentada de 30 para 40 anos. Todavia, esse avanço não parece ter assustado os agressores e futuros feminicidas. Pelo contrário, os casos de agressão as mulheres sobem mais e mais a cada dia.
Mato Grosso lidera o ranking do estado em que mais se mata mulheres no Brasil pelo segundo ano consecutivo. Foram 93 assassinatos entre os anos de 2023 e 2024. Entre eles o de Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani, morta com mais de 30 facadas a mando do ex-marido.
No ano de 2025 já foram mais de 50 (cinquenta) mortes em razão do gênero, entre os meses de janeiro e novembro. Isso sem contar as vítimas que não foram a óbito.
Onde temos falhado na proteção de nossas mulheres? A promulgação da Lei Maria da Penha foi um grande avanço na proteção da convivência familiar para o gênero feminino mas chegamos a um estágio em que não esta mais sendo o suficiente.
A necessidade de novas políticas bem como fiscalização e punição por parte do poder público é urgente. Lembrando que valores como respeito e empatia vem da criação de cada ser humano, ou seja, dos lares em que crescem. O feminicidio é uma epidemia em ascensão e infelizmente, sem prazo para uma derrocada.
É estarrecedor falar, mas na maioria das vezes, o agressor só para quando tira a vida de sua vítima, ou a deixa sem as pernas, como aconteceu semana passada no estado de São Paulo.
Todos conhecemos alguém que já sofreu violência doméstica e o agressor saiu impune. Se você não conhece, talvez a vítima seja você. Infelizmente ser mulher no Brasil hoje em dia é estar em constante temor e alerta.
A violência contra a mulher atinge mulheres de todas as idades, raças, classes sociais, religiões e opiniões políticas. Inúmeras ONG’s fazem o trabalho de ajudar milhares de mulheres a recuperar sua dignidade, bem como saúde física, mental e patrimonial.
Recentemente a professora de português e palestrante Cintia Chagas desviou um pouco do seu conteúdo normal e relatou que foi vítima de violência doméstica por seu então marido, Lucas Bove, deputado estadual em São Paulo.
Importante citar que a violência doméstica não diz respeito apenas a violência física, apesar de que, na maioria das vezes, uma está atrelada as outras.
A atriz, empresária e influenciadora Patricia Ramos, já relatou em alguns podcasts que precisou pagar seu ex-marido para conseguir o divórcio. A quantia desembolsada por Patricia teria sido de R$400.000,00 (quatrocentos mil reais).
Ver uma mulher poderosa “descer de seu salto” e contar as angústias que sofreu, legitima o discurso de inúmeras mulheres e as faz enxergar que a vida delas importa e muito.
Tanto Cintia quanto Patrícia precisaram de muita coragem, e seu clamor por justiça falou mais alto, comovendo não só a esfera judicial, como também milhares de brasileiros.
A luta pela frente é árdua, mas juntas somos mais fortes.
Não vire estatística, denuncie a violência doméstica. Disque 180.
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