O aumento constante no preço dos combustíveis não é apenas um incômodo para quem abastece o carro no dia a dia. Ele é, na verdade, um dos principais motores da alta no custo de vida que pesa no bolso de toda a população. Quando gasolina e diesel sobem, não é só o motorista que sente, é toda a economia que sofre.
Em um estado como Mato Grosso, onde as distâncias são longas e a dependência do transporte rodoviário é enorme, o impacto é ainda mais evidente. O diesel mais caro encarece o frete, que encarece os alimentos, os insumos e os produtos básicos. Aquilo que chega à mesa das famílias já vem com um custo inflado antes mesmo de sair do campo ou da indústria.
E não para por aí. O aumento dos combustíveis também afeta diretamente o transporte urbano, os serviços e até pequenos negócios, que precisam repassar custos para continuar funcionando. No fim, quem paga essa conta é sempre o cidadão comum.
Diante disso, é impossível tratar o preço dos combustíveis como algo isolado ou meramente técnico. Existe, sim, a necessidade de uma análise profunda sobre o que está por trás desses valores: política de preços, carga tributária, custos logísticos e, principalmente, a atuação dos agentes que compõem essa cadeia.
Mas há um outro ponto que precisa ser enfrentado com coragem: a concorrência desleal. Enquanto muitos empresários trabalham dentro da legalidade, pagando impostos, cumprindo normas e respeitando o consumidor, outros se beneficiam de práticas irregulares para lucrar mais, seja sonegando tributos, adulterando produtos ou operando fora das regras.
Isso não prejudica apenas o consumidor, que pode estar pagando caro por um produto de qualidade duvidosa. Prejudica também, e de forma direta, o empresário sério, que vê seu negócio ameaçado por quem atua na ilegalidade. Quem faz o certo não pode ser penalizado por quem insiste em fazer errado.
Proteger o consumidor passa, necessariamente, por proteger também o empresário que age com responsabilidade. É garantir um ambiente de concorrência justa, onde todos joguem pelas mesmas regras. E isso só é possível com fiscalização rigorosa, atuação firme dos órgãos competentes e punição exemplar para práticas ilegais.
É nesse ponto que entra o papel do poder público. Fiscalizar não é opção, é obrigação. É preciso garantir transparência na formação dos preços e investigar possíveis abusos que prejudiquem o consumidor e distorçam o mercado.
Não podemos aceitar a naturalização de aumentos sucessivos sem explicações claras, nem fechar os olhos para práticas que prejudicam quem trabalha corretamente. A população já enfrenta desafios suficientes com alimentação, moradia e saúde. O combustível caro agrava ainda mais essa realidade e compromete o desenvolvimento econômico do nosso estado.
Defender o consumidor, nesse cenário, é defender toda a sociedade, inclusive quem empreende com seriedade. É lutar por equilíbrio, justiça e respeito com quem trabalha, produz e sustenta a economia.
Seguirei cobrando, fiscalizando e buscando respostas. Porque quando o combustível sobe sem justificativa clara, e quando a ilegalidade avança sobre quem faz o certo, não é só o tanque que enche, é a conta que chega para todos.
*Diego Guimarães e deputado estadual pelo Republicanos
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