A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) alerta para os impactos de uma possível nova alta no imposto de importação de pneus de passeio, em discussão no governo federal. Após subir de 16% em 2024 para 25% no ano passado, a alíquota pode chegar a 35% em 2026, conforme proposta em análise no Comitê de Alterações Tarifárias (CAT), da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Segundo a entidade, a escalada tributária pressiona diretamente o bolso do consumidor. "Um pneu de R$ 500 passou para R$ 580 com a alíquota de 16% e para R$ 625 com os atuais 25%. Se a tarifa subir para 35%, poderá chegar a R$ 675. Nesse cenário, estamos falando de um repasse final ao consumidor superior a 20%", analisa Ricardo Alípio, presidente da ABIDIP.
A ABIDIP destaca que a proposta atinge indiscriminadamente todas as categorias de pneus de passeio, inclusive medidas não mais produzidas no Brasil e essenciais para a frota mais antiga, como os aros 13 e 14, que representam grande parte dos veículos em circulação. "Nesse caso, não há proteção à indústria nacional. Há apenas redução de oferta e aumento de preços para o consumidor brasileiro", comenta Alípio.
O pedido de aumento ocorre em um momento de forte expansão do setor automotivo. Segundo a Fenabrave, as vendas de veículos de passeio e comerciais leves cresceram cerca de 15% no primeiro trimestre de 2026. Para a ABIDIP, isso evidencia que o desafio da indústria nacional não está na demanda, mas na necessidade de ganhos de eficiência e modernização. "Neste mercado aquecido, a competitividade é fundamental, e ela não se alcança através de proteção tarifária", observa o presidente da entidade.
A ABIDIP defende uma política tarifária equilibrada, que preserve a concorrência e garanta preços acessíveis ao consumidor brasileiro. "A elevação sucessiva de tarifas acaba por gerar distorções, com reflexos negativos para quem mais depende da mobilidade. O aumento de preços afeta motoristas de aplicativo, taxistas, frotistas e atividades dependentes de transporte, impactando nos custos logísticos e na inflação. O retorno à alíquota de 16% é o caminho para um mercado mais competitivo, beneficiando o consumidor brasileiro", analisa Ricardo Alípio.
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