Crianças e pré-adolescentes ainda concentram os maiores índices de leitura no Brasil, mas a continuidade desse hábito ao longo do tempo tem se mostrado um desafio. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024 apontam que o interesse pelos livros diminui progressivamente com o avanço da idade, especialmente a partir da adolescência.
Na infância, entre 5 e 10 anos, muitos leem por prazer e a média anual chega a 7,27 livros. Já na faixa de 11 a 13 anos, o número se mantém próximo: 7,56 livros por ano. A queda se torna mais evidente na adolescência: jovens de 14 a 17 anos leem, em média, 6,20 obras anuais. No Ensino Médio, o cenário chama ainda mais atenção: 45% dos estudantes afirmam não consumir literatura nem mesmo por indicação dos professores, o que reforça a importância de estratégias que tornem a leitura mais atrativa e integrada à rotina dos jovens.
Segundo Ricardo Paschoalato, especialista em educação do Kumon e pós-graduado em psicopedagogia e tecnologias na aprendizagem, o estímulo à leitura precisa acompanhar as transformações do comportamento dos pré-adolescentes: "Hoje, competir pela atenção dos jovens exige mais do que apenas indicar livros. É preciso criar conexões com os interesses deles e mostrar que a leitura pode ser uma experiência prazerosa, não apenas uma obrigação escolar", explica.
Incentivar o hábito da leitura na pré-adolescência é fundamental para o desenvolvimento educacional e pessoal dos jovens, especialmente em uma fase marcada por mudanças de interesse e maior autonomia. Para Ricardo, "estimular o contato frequente com livros nesse período contribui não apenas para o desempenho escolar, mas também para a construção de repertório, interpretação de mundo e capacidade de concentração. Quando a leitura é incentivada de forma leve e conectada aos interesses do jovem, ela deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma escolha, aumentando as chances de se tornar um hábito duradouro".
A seguir, Ricardo lista algumas estratégias que podem ajudar pais e educadores a estimular esse hábito:
Diante desse cenário, incentivar a leitura entre pré-adolescentes passa menos por restringir o uso de telas e mais por integrar o hábito à rotina de forma natural e atrativa. Para Paschoalato, "quando o livro se torna um companheiro presente no dia a dia, ele deixa de ser apenas uma tarefa escolar e passa a representar uma experiência prazerosa, que contribui para o desenvolvimento contínuo e pode acompanhar o jovem ao longo da vida", reforçando a importância de estratégias alinhadas às novas formas de consumir conteúdo.
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