O número de brasileiros em situação de inadimplência tem apresentado crescimento ao longo dos últimos anos, impactando diretamente as operações financeiras de empresas em diferentes setores. De acordo com dados do Mapa da Inadimplência da Serasa, milhões de consumidores permanecem com dívidas em aberto, refletindo um cenário persistente de dificuldade no cumprimento de obrigações financeiras.
Levantamento divulgado pela CNN Brasil aponta que a inadimplência no país atingiu 81,7 milhões de pessoas, representando um crescimento de 38% em um período de dez anos. O volume expressivo evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelas empresas na gestão de crédito e relacionamento com clientes.
Esse cenário amplia a presença do cliente inadimplente nas bases das organizações, exigindo maior controle sobre processos de cobrança e acompanhamento das negociações. Com um número crescente de consumidores nessa condição, a gestão da inadimplência passa a demandar mais organização e previsibilidade nas interações.
Nesse contexto, modelos estruturados como a régua de cobrança têm sido utilizados para organizar o fluxo de comunicação com o cliente inadimplente. A estratégia estabelece etapas progressivas de contato, que podem incluir diferentes canais, como mensagens e ligações, de acordo com critérios previamente definidos.
Paralelamente, a automação de cobrança surge como alternativa para viabilizar a execução dessas etapas em maior escala. Ao reduzir a dependência de processos manuais, as empresas conseguem manter consistência nas abordagens e acompanhar com maior precisão o andamento das negociações.
Para Sandro Wegner, CEO da Native, o principal desafio não está apenas no aumento da inadimplência, mas na forma como as empresas estruturam suas operações para lidar com esse cenário.
"A gestão da cobrança precisa evoluir para lidar com volumes maiores de clientes inadimplentes sem comprometer o relacionamento. Sem processos bem definidos, há risco de abordagens desconectadas e perda de confiança por parte do cliente", afirma.
Segundo o executivo, a integração entre áreas também se torna um fator relevante nesse processo.
"Quando setores como atendimento, vendas e financeiro não compartilham informações, a comunicação tende a se fragmentar. Isso pode resultar em contatos inadequados, especialmente em situações que envolvem negociação ou histórico recente de interação", explica.
Diante desse contexto, entende Wegner, a tendência é que empresas invistam em estruturas mais organizadas de cobrança, combinando módulo de cobrança automatizado com estratégias que considerem o comportamento e o histórico do cliente inadimplente.
"À medida que o cenário econômico exige maior controle financeiro, a cobrança deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a integrar a estratégia de relacionamento das empresas", conclui.
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