Seis em cada dez trabalhadores do setor privado no Brasil exercem suas atividades no estabelecimento do próprio empreendimento. É o que mostra o módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 23 de setembro. Segundo o levantamento, 60,2% dos 84,6 milhões de ocupados dessa categoria trabalhavam no estabelecimento da empresa em 2025, enquanto 7,9% atuavam no próprio domicílio.
O resultado confirma a perda de espaço do home office no país. A proporção de pessoas que trabalham em casa atingiu o pico de 8,4% em 2022 e, desde então, recuou até se estabilizar em 7,9%. Outros 13,8% dos ocupados do setor privado exercem a função em local designado pelo empregador, patrão ou cliente.
A volta ao presencial ocorre em um mercado de trabalho com números históricos. De acordo com o IBGE, a população ocupada alcançou o recorde de 103,0 milhões de pessoas em 2025, e o nível de ocupação chegou a 59,1%, o maior da série iniciada em 2012.
Na avaliação de Juliana Prado, consultora de moda da Anellimn, a retomada da rotina presencial muda a forma como as mulheres montam o guarda-roupa profissional, que precisa acompanhá-las o dia inteiro, do trajeto ao fim do expediente. "Com a volta ao presencial, o guarda-roupa de trabalho voltou a ser prioridade, e quem vai ao escritório todos os dias busca peças versáteis. O short em alfaiataria ganhou espaço justamente por isso: tem o caimento de uma calça social e funciona tanto em uma reunião, com camisa e mocassim, quanto em um compromisso depois do trabalho", afirma.
A especialista observa ainda que os códigos de vestimenta das empresas ficaram mais flexíveis, o que abriu espaço para combinações antes restritas a ocasiões informais. "O colete feminino de alfaiataria é um bom exemplo dessa mudança. Pode ser usado sozinho, como blusa, nos dias mais quentes, ou sobreposto a uma camisa quando o compromisso pede mais formalidade. É uma peça que dá estrutura ao look sem o peso de um blazer", explica.
Com 60,2% dos ocupados do setor privado atuando no estabelecimento da empresa e o home office estabilizado abaixo do pico registrado em 2022, os dados do IBGE indicam que o trabalho presencial segue como a principal modalidade no país. Somado ao recorde de 103,0 milhões de pessoas ocupadas, o resultado mostra que o deslocamento até o local de trabalho faz parte do dia a dia da maior parte dos trabalhadores do setor privado brasileiro.
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