Pesquisa da KPMG com 1.927 líderes em 41 países mostra que a proporção de empresas familiares geridas diretamente pela família deve recuar de 48% para 8% no Brasil até 2035, movimento que exige governança, processos e sucessão estruturada.
O KPMG Global Family Business Report 2026, divulgado em agosto, ouviu 1.927 líderes e acionistas relevantes de empresas familiares e de capital fechado em 41 países, sendo 122 no Brasil. O levantamento foi conduzido pelo instituto Meridian West entre janeiro e fevereiro de 2026.
O dado central do estudo aponta uma mudança estrutural no modelo de gestão dessas organizações. Globalmente, a proporção de empresas que se identificam como geridas pela própria família deve cair de 49% para 12% até 2035, uma redução de 37 pontos percentuais. No Brasil, a queda projetada é ainda mais intensa: de 48% para 8%.
A migração esperada não é para a perda do controle familiar, mas para estruturas de gestão profissional com supervisão de conselhos e mecanismos formais de governança. Segundo o estudo, mais da metade das organizações deve adotar esse formato na próxima década.
Confiança estratégica e pragmatismo
Os dados brasileiros combinam otimismo e cautela. Entre os respondentes do país, 75% afirmam ter uma estratégia clara de crescimento e 74% relatam forte alinhamento entre os líderes da organização. Ao mesmo tempo, 61% acreditam que crescer será mais difícil nos próximos anos, percentual ligeiramente superior à média global de 59%.
Os atributos ligados à identidade familiar seguem como principais diferenciais competitivos. No Brasil, 90% apontam a reputação familiar como vantagem relevante, 86% citam os valores compartilhados e 82% destacam o capital paciente, característica associada à capacidade de decidir com visão de longo prazo.
IA avança mais rápido que a governança
A adoção de inteligência artificial aparece como um dos principais impulsionadores de crescimento. No Brasil, 80% dos respondentes afirmam estar implementando IA ativamente, acima da média global de 64%.
O avanço, porém, não é acompanhado pela estrutura de supervisão. Entre as empresas familiares brasileiras, 45% não desenvolveram uma estrutura de governança para IA, parcela que é de 38% no cenário global.
A mesma defasagem aparece na gestão de riscos. Apenas 22% das empresas familiares brasileiras afirmam possuir uma estrutura abrangente de gestão de riscos corporativos, contra 33% na média global. Menos de 20% concordam fortemente que papéis e responsabilidades relacionados ao tema estejam claramente definidos.
Sucessão é o desafio que mais cresce
Entre os desafios de longo prazo apontados pelos líderes até 2035, a sucessão e o preparo da próxima geração aparecem em 31% das respostas. O tema era citado por 20% dos entrevistados quando a pergunta tratava do curto prazo, uma alta de 11 pontos percentuais na percepção de criticidade.
Adoção e governança de IA lideram a lista, com 35%, seguidas por atração e retenção de talentos (30%), disrupção macroeconômica (29%) e governança e tomada de decisão estratégica (24%).
Segundo Rodrigo de Paula, CEO da VBMC Consultores, a transição de uma empresa gerida pela família para um modelo com gestão profissional e conselho atuante não se resolve com a troca de nomes na liderança. "Ela exige processos definidos, indicadores confiáveis e rituais de gestão que sustentem a decisão no longo prazo. Sem essa base, a profissionalização fica no discurso e o negócio continua dependendo das mesmas pessoas de sempre", afirma.
Em suma, o estudo aponta para um modelo de empresa familiar que preserva identidade, reputação e visão de longo prazo, mas que dependerá cada vez mais de gestão profissional, governança estruturada, atração de talentos e uso responsável da tecnologia.
Tecnologia Fronteiras entre cargos de comando se dissolvem no topo
Tecnologia Fiserv simplifica o comércio entre países com o Commerce Hub
Tecnologia VERT recebe o Prêmio Uqbar de Transparência pelo segundo ano
Tecnologia Black Friday 2026 acelera uso de IA na busca por descontos Mín. 25° Máx. 41°
Mín. 28° Máx. 42°
Chuvas esparsasMín. 27° Máx. 42°
Chuvas esparsas
Naime Márcio Martins Moraes A fraude da República brasileira: poder para elite e quem paga a conta é o povo
Léo Bortolin Vitória para Mato Grosso. Conquista para o Brasil!
Paula Calil Um ano de responsabilidade, diálogo e transparência à frente da Câmara de Cuiabá
Giovanna Burton Suspensão de processos de atraso e cancelamento de voo: o dever de indenizar está em risco?