A popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" tem levado às clínicas de cirurgia plástica um novo perfil de pacientes no Brasil. A perda rápida de peso está associada ao aumento da procura por procedimentos para correção de flacidez, excesso de pele e perda de volume, tanto no corpo quanto na face, inclusive entre pessoas mais jovens.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que mais de 750 mil pessoas utilizam esses medicamentos por mês no Brasil. O cirurgião plástico Alexandre Piassi ressalta, no entanto, que as alterações observadas após o emagrecimento não devem ser atribuídas automaticamente às medicações. "Grande parte delas está relacionada à própria perda de peso, especialmente quando ela é acentuada ou rápida. A literatura científica sobre esse fenômeno específico ainda está evoluindo", explica.
Com a redução significativa do peso, há também diminuição do tecido adiposo que conferia volume e sustentação aos tecidos. A pele, principalmente quando permaneceu distendida por longos períodos, pode não se retrair na mesma proporção. Na face, a perda dos compartimentos de gordura pode acentuar sulcos e conferir uma aparência mais envelhecida. Idade, genética, exposição solar, tabagismo e a magnitude do emagrecimento também influenciam esse processo.
Cuidados antes da cirurgia
A avaliação pré-operatória é uma etapa fundamental para quem passou por uma perda significativa de peso. A recomendação é que a cirurgia plástica ocorra após a fase mais intensa do emagrecimento e com o peso estabilizado. "Mais importante do que estabelecer um número rígido de meses é avaliar estabilidade ponderal, condições clínicas e estado nutricional. Operar durante uma fase de perda ativa de peso pode diminuir a previsibilidade do resultado e aumentar riscos", alerta Piassi.
No caso de pacientes que utilizam medicamentos para emagrecimento, o cirurgião plástico e o anestesiologista devem ser informados sobre o fármaco utilizado, a dose, a data da última administração e a presença de sintomas gastrointestinais ou outros fatores de risco. Segundo o cirurgião plástico, alguns desses medicamentos, particularmente os agonistas de GLP-1, podem retardar o esvaziamento gástrico e ter implicações para a anestesia. Por isso, a conduta deve ser individualizada, sem uma regra única de suspensão aplicada indistintamente a todos os pacientes.
O estado nutricional também precisa ser considerado, já que perdas importantes ou muito rápidas podem estar associadas à ingestão inadequada de proteínas, vitaminas e micronutrientes fundamentais para a cicatrização e a recuperação. A consulta pré-operatória deve ainda alinhar as expectativas sobre os resultados e os limites do procedimento.
"Um bom resultado começa por uma expectativa realista. A cirurgia plástica pode proporcionar uma melhora muito significativa do excesso de pele, da flacidez e do contorno corporal e facial. Mas não podemos prometer restaurar exatamente a anatomia que o paciente tinha antes das mudanças de peso. Existem limites determinados pela qualidade da pele, perda de volume, idade, anatomia e capacidade individual de cicatrização", afirma Piassi.
Tema em debate no Plastic On Board
As mudanças no perfil dos pacientes após perdas significativas de peso também estarão entre as discussões do Plastic On Board, congresso marítimo internacional que será realizado de 19 a 22 de fevereiro de 2027, com saída de Santos (SP) e destino a Búzios (RJ). A programação terá módulos dedicados à abdominoplastia e ao contorno corporal, com debates sobre novas técnicas, tecnologias emergentes e segurança do paciente.
Os conteúdos também devem ampliar a discussão sobre os cuidados necessários diante das mudanças no perfil de quem procura procedimentos depois de emagrecimentos significativos, aproximando o tema da prática dos cirurgiões plásticos e dos desafios observados atualmente nos consultórios.
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