O início de 2026 deve trazer um cenário desafiador para as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras. A combinação de juros elevados, aumento do custo da folha salarial, consumidores mais cautelosos e incertezas ligadas ao calendário eleitoral tende a pressionar o ambiente de negócios ao longo do ano. A avaliação é de Felipe Beraldi, economista da Omie, sistema de gestão para PMEs.
Segundo o especialista, além de desafios estruturais já conhecidos do empresariado, o momento atual da economia adiciona fatores conjunturais que exigem maior atenção na gestão das empresas. "Se em 2025 a economia brasileira já apresentou desaceleração, a expectativa é de intensificação dessa tendência em 2026. Isso exige das empresas uma postura mais estratégica e foco na gestão", afirma Beraldi.
Dados do Boletim Focus, do Banco Central, projetam crescimento de 1,8% do PIB em 2026, abaixo da expansão estimada de 2,3% registrada em 2025, indicando um ritmo mais moderado da atividade econômica.
Esse movimento já impacta diretamente o desempenho das PMEs. O Índice Omie de Desempenho Econômico das Pequenas e Médias Empresas (IODE-PMEs), que acompanha o faturamento real do setor com base em dados anonimizados de clientes da companhia, registrou crescimento de apenas 1,2% em 2025, após dois anos de expansão mais forte entre 2023 e 2024, com média de 7,3% ao ano.
Incerteza econômica afeta expectativas dos empreendedores
Além dos indicadores macroeconômicos, o calendário eleitoral também contribui para elevar o nível de incerteza no país, o que pode afetar decisões de consumo e investimento. De acordo com a Sondagem Omie das Pequenas Empresas, as expectativas dos empreendedores em relação ao ambiente econômico doméstico vêm se deteriorando.
A percepção predominante é de que a economia pode impactar negativamente os negócios no curto prazo. Para as PMEs, esse cenário pode resultar em menor demanda, maior volatilidade e adiamento de projetos e investimentos.
Gestão e dados como estratégia para atravessar o cenário
Diante de um ambiente econômico mais desafiador, o economista ressalta que o diferencial competitivo das empresas estará cada vez mais ligado à qualidade da gestão. "A profissionalização, aliada à automação e ao uso de dados na tomada de decisão, aumenta a previsibilidade e permite que os empreendedores reajam com mais rapidez às mudanças do mercado", explica Beraldi.
Entre as prioridades para as PMEs, a gestão de caixa ganha protagonismo. O controle rigoroso de prazos de pagamento e recebimento, a renegociação de contratos e a busca por maior previsibilidade financeira tornam-se essenciais, especialmente em um contexto de crédito caro.
Empresas que mantêm dados organizados e conformidade fiscal também tendem a ter maior facilidade de acesso a crédito e melhores condições de financiamento, fator importante para manter investimentos e operações.
Reforma tributária exige atenção desde já
Outro ponto que deve entrar na agenda estratégica das empresas é o início da implementação da Reforma Tributária sobre o consumo. Embora os impactos financeiros imediatos para as PMEs sejam considerados limitados, decisões estratégicas de médio e longo prazo já precisam ser avaliadas. "A reforma exige análise criteriosa e alinhamento antecipado com a contabilidade, pois seus efeitos podem variar bastante de acordo com o setor e o modelo de negócio", afirma o especialista.
Preparação pode transformar desafios em oportunidades
Apesar da complexidade esperada para o ano, Beraldi destaca que as empresas que investirem em gestão, produtividade e planejamento, principalmente em sistema de gestão (ERP), estarão mais preparadas para enfrentar o período. "As PMEs que fortalecerem seus processos de gestão, utilizarem tecnologia e se anteciparem às mudanças regulatórias estarão melhor posicionadas não apenas para superar os desafios de 2026, mas também para sustentar um crescimento consistente nos próximos anos", conclui o economista da Omie.
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