O Dia da Árvore em 21 de setembro marca o final do inverno e o início da primavera no Hemisfério Sul. A data serve para conscientizar sobre a importância da preservação ambiental, o combate ao desmatamento e o papel vital das plantas no planeta.
Depois de mais de quatro décadas sem registros oficiais, uma árvore quase esquecida da história brasileira foi documentada: o pau-cravo (Dicypellium caryophyllaceum). Espécie nativa da floresta amazônica, pode atingir até 30 metros de altura e é conhecida por seu aroma marcante e sua longa trajetória de exploração no Brasil Colonial. A planta, considerada criticamente em perigo de extinção, foi encontrada na área de influência da Usina Hidrelétrica Belo Monte.
"A importância da conservação do pau-cravo é reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro. Ele consta na Lista Nacional da Flora Ameaçada de Extinção, publicada pelo Ibama em 2008 — norma ainda vigente e que formaliza o status de risco da espécie no território nacional", salienta Vininha F. Carvalho, economista, ambientalista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.
A gestão das árvores nas cidades deve seguir preceitos científicos da silvicultura urbana, disciplina que alia o conhecimento botânico, a biomecânica vegetal e a Engenharia para planejar, conduzir e monitorar o patrimônio verde das metrópoles.
Com a perspectiva de que os fenômenos climáticos extremos passam a fazer parte da rotina das cidades, a reestruturação da arborização urbana se torna essencial. A silvicultura urbana exige o acúmulo de conhecimentos de Agronomia e Engenharia Florestal.
Segundo José Walter Figueiredo, vice-presidente da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP) e membro do Comitê Técnico de Normatização e Manejo Arbóreo do Crea-SP, para os novos plantios, não podemos escolher espécies apenas por apelo estético ou econômico e que não possuem a adaptação ideal para todas as nossas condições urbanas. Devemos focar nas espécies dos biomas locais, que evoluíram durante milênios adaptadas ao nosso solo e clima.
Especialistas ressaltam que rajadas de vento a partir de 50 km/h a 60 km/h já exercem uma força considerável sobre tipos de árvores plantadas em ambientes urbanos e que estão fragilizadas. Quando os municípios são atingidos por tempestades severas ou ciclones com ventos que alcançam de 80 km/h a 100 km/h, a pressão biomecânica expõe qualquer defeito estrutural preexistente nas árvores.
"As políticas públicas precisam ser implementadas para promover a arborização em toda a cidade de maneira planejada, garantindo que os benefícios das áreas verdes sejam estendidos a todas as regiões e contribuam para a mitigação das altas temperaturas urbanas", conclui Vininha F. Carvalho.
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