Empresas de materiais promocionais sediadas no exterior que pretendem vender no mercado brasileiro têm recorrido a fábricas locais integradas por software para operar no país sem montar estrutura própria. O modelo responde a um obstáculo conhecido: manter operação ou importar mercadoria para o Brasil custa caro. Segundo o Observatório do Custo Brasil, iniciativa do Movimento Brasil Competitivo em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, produzir e operar no Brasil custa cerca de R$ 1,7 trilhão a mais por ano em comparação com a média dos países da OCDE.
Parte desse custo recai justamente sobre quem depende de importação. O mesmo levantamento estima entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhões ao ano o peso do eixo de integração com cadeias produtivas globais, que inclui os impostos de importação. Ao mesmo tempo, o mercado que essas empresas buscam atender é relevante: o setor formal de brindes movimentou cerca de R$ 3,1 bilhões em 2024, de acordo com levantamento da consultoria LTP. A combinação de mercado atrativo e importação onerosa levou parte das companhias estrangeiras a produzir dentro do país.
O custo de operar e importar
Trazer o produto pronto de fora esbarra no frete internacional, câmbio e no tempo de desembaraço aduaneiro, etapa em que a carga fica retida em recinto alfandegado e acumula custos de armazenagem até a liberação. Para uma linha de materiais promocionais, que depende de prazo curto e de personalização por pedido, esse intervalo costuma ser incompatível com a data de entrega ao cliente final. Montar operação própria, por outro lado, expõe a empresa aos mesmos entraves estruturais medidos pelo Custo Brasil, da carga tributária à burocracia.
Produção local conectada por API
A alternativa que se consolidou combina produção nacional sob demanda com uma camada de integração por API, que sincroniza catálogo, fotos, dados de produto, opções de personalização, preços e estoque entre a fábrica brasileira e a plataforma do parceiro no exterior. Com isso, a empresa estrangeira comercializa os itens pelo próprio canal, enquanto a fabricação e a entrega ocorrem no Brasil. "A empresa de fora vende para o cliente dela; a produção, o estoque e a entrega ficam no Brasil, sem importação nem alfândega", afirma Rodrigo Pereira, CEO da Innovation Brindes, fábrica de brindes corporativos em São Paulo que opera nesse modelo.
A aposta na produção local acompanha o tamanho do mercado que essas empresas pretendem atender. Segundo o relatório Setor Brindeiro no Brasil, da LTP, o setor projetava crescimento de 12% em 2025, com receita bruta estimada em R$ 3,47 bilhões. Em um segmento que depende de personalização por pedido e de prazos curtos de entrega, produzir no país de destino elimina as etapas de importação que costumam comprometer esse cronograma.
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