A agenda ESG (Environmental, Social and Governance) tem se consolidado nas estratégias de grandes empresas nos últimos anos. O advogado e empresário Carlos Santana, fundador da Tecnobank e da CS Invest, defende que a incorporação de práticas ambientais, sociais e de governança deve fazer parte da cultura organizacional e contribuir para a solidez e a preparação das companhias para o futuro.
Santana argumenta que, antes da popularização da sigla ESG, já existiam organizações que cuidavam de pessoas, sociedade e meio ambiente; a sigla apenas sistematizou essa discussão. Para ele, o compromisso efetivo depende de decisões cotidianas e de mecanismos de controle externo que garantam a transparência das ações.
O empresário alerta para o risco de "greenwashing", prática em que compromissos ambientais ou sociais são usados como ferramenta de imagem sem efetiva implementação. Nas empresas que dirige, o tema ambiental se materializa em iniciativas como compensação de emissões de carbono, plantio consciente de árvores e projetos de redução e consumo responsável de água e energia elétrica. A Tecnobank, por exemplo, recebeu o selo Carbon Free.
No âmbito social, as companhias apoiam projetos culturais e esportivos. "Não acredito em sustentabilidade construída para aparecer. O compromisso precisa existir quando ninguém está olhando", afirma Santana, ressaltando que ações como compensar emissões ou apoiar projetos sociais só fazem sentido quando refletem a crença da organização.
A atenção às pessoas também se estende ao ambiente interno. A empresa de Carlos Santana é reconhecida pelo Great Place to Work (GPTW) e aparece em rankings de melhores lugares para trabalhar. Na Tecnobank, a presença feminina em cargos estratégicos é destacada: a empresa já contou com duas mulheres no cargo de CEO e possui diretoras no board, inclusive em posições de liderança na área de tecnologia, área tradicionalmente dominada por homens.
Programas de diversidade e pertencimento complementam a atuação. "Não existe empresa sustentável sem pessoas que se sintam respeitadas, valorizadas e parte da construção do negócio", reforça o empresário, indicando que diversidade vai além de cumprir cotas, trata-se de criar oportunidades reais de crescimento e liderança.
A governança completa o modelo com processos auditáveis externamente. A Tecnobank adota referenciais internacionais, como ISO 37001 (gestão antissuborno), ISO 37301 (compliance), ISO 27001 (segurança da informação) e ISO 27701 (privacidade da informação). Segundo Santana, certificações, auditorias e controles independentes ajudam a distinguir compromissos reais de discursos corporativos.
"Governança não se constrói com uma campanha. Ela é resultado de anos de decisões coerentes", conclui Santana, acrescentando que empresas que respeitam pessoas, assumem responsabilidade pelos impactos que geram e submetem seus processos a controles rigorosos constroem confiança, um dos ativos mais importantes para o crescimento e a relevância a longo prazo.
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