A economia circular tem ganhado relevância nas estratégias de sustentabilidade de empresas e governos ao redor do mundo. O conceito, que busca prolongar a vida útil de produtos, reduzir resíduos e reaproveitar materiais, vem impulsionando diferentes setores da economia, incluindo mercados tradicionalmente associados à comercialização de ativos, como os leilões.
Segundo o relatório Circularity Gap Report 2024, apenas 7,2% dos materiais consumidos pela economia global retornam ao ciclo produtivo por meio de reutilização, reciclagem ou remanufatura, evidenciando os desafios para a ampliação de modelos de economia circular.
Nesse contexto, o mercado de leilões vem assumindo um papel relevante ao possibilitar que bens, equipamentos e materiais retornem ao ciclo econômico em vez de serem descartados prematuramente. Veículos, máquinas industriais, equipamentos eletrônicos e ativos corporativos são frequentemente direcionados para reuso, desmontagem ou reciclagem, dependendo de suas condições de utilização.
Um exemplo desse movimento pode ser observado na atuação da Sodré Santoro, empresa especializada em leilões de ativos judiciais, corporativos e extrajudiciais. Anualmente, cerca de 16 mil toneladas de sucata veicular passam pelos processos de comercialização da companhia. Após a venda, os materiais seguem para recicladores e empresas credenciadas, permitindo o reaproveitamento de aço, alumínio, plásticos e outros componentes que retornam à cadeia produtiva.
Além da reciclagem, o modelo também favorece o prolongamento da vida útil de bens com potencial de reutilização. Veículos, máquinas, equipamentos e eletrônicos podem ser reinseridos no mercado por meio de novos compradores, reduzindo a necessidade de fabricação de novos produtos e contribuindo para a otimização de recursos.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a adoção de práticas de economia circular está entre os principais caminhos para aumentar a eficiência produtiva, reduzir emissões e diminuir a dependência de matérias-primas virgens. No setor automotivo, por exemplo, a reciclagem de metais contribui para a redução do consumo energético e das emissões associadas à produção de novos insumos.
Para garantir conformidade ambiental, empresas que atuam nesse segmento utilizam processos de rastreabilidade e documentação específicos, incluindo Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), Certificados de Destinação Final e outros mecanismos previstos na legislação ambiental.
À medida que cresce a demanda por modelos de negócio mais sustentáveis, especialistas apontam que iniciativas voltadas ao reuso, à reciclagem e à correta destinação de ativos tendem a ganhar cada vez mais espaço. Nesse cenário, os leilões passam a ser vistos não apenas como uma alternativa comercial, mas também como uma ferramenta capaz de contribuir para a economia circular e para os objetivos ESG das organizações.
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