O Banco Central (BC) sinaliza que a taxa básica de juros permanecerá em patamar elevado por um período prolongado. A decisão é motivada por incertezas no cenário econômico, incluindo o aumento de tarifas nos Estados Unidos e a dificuldade em alcançar a meta de inflação estabelecida.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada recentemente, detalha os fatores que levaram à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. Esse é o nível mais alto desde julho de 2006. A meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Entretanto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, registra 5,35% em 12 meses.
O Copom expressa preocupação com o cenário inflacionário desafiador, citando um ambiente externo adverso e incerto. A elevação das tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos é vista como um fator de impacto, com efeitos setoriais relevantes e agregados ainda incertos.
Além das incertezas internacionais, o Copom ressalta que as expectativas de inflação no Brasil estão desalinhadas, não convergindo para o centro da meta governamental. Apesar da desaceleração no aumento dos preços dos alimentos, a projeção do IPCA para o primeiro trimestre de 2027 é de 3,4%, acima do centro da meta.
O BC reconhece que o aumento das taxas de juros, iniciado em setembro de 2024, já está produzindo um efeito de desaceleração na economia. O mercado de crédito tem demonstrado uma moderação mais clara.
Apesar disso, o mercado de trabalho continua aquecido, com taxas de ocupação e renda dos trabalhadores em níveis recordes, o que contribui para a pressão inflacionária. Os diretores do Banco Central também apontam desafios relacionados à política fiscal do governo, como o afrouxamento do esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública.
A manutenção da Selic em um patamar elevado tem como objetivo garantir a convergência da inflação à meta estabelecida. A taxa Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Desde setembro de 2024, o IPCA tem se mantido acima do teto da meta, que é de 4,5%. O aumento da taxa Selic encarece os empréstimos e desestimula os investimentos, o que tende a frear a economia. O efeito da Selic sobre a inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br