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El Niño muda o cenário da dengue no Brasil
Alterações nas chuvas e nas temperaturas provocadas pelo fenômeno podem modificar a formação e a distribuição dos possíveis criadouros do Aedes aeg...
29/07/2026 11h26
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O retorno do El Niño volta a colocar o clima no centro das discussões sobre saúde pública. Conhecido por alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do Brasil, o fenômeno pode influenciar diretamente as condições que favorecem a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Embora seus impactos variem conforme a região, o El Niño pode provocar períodos de chuvas intensas em algumas localidades e estiagens prolongadas em outras, além de temperaturas acima da média. Essas mudanças alteram a dinâmica do território, criando, eliminando ou deslocando possíveis criadouros do mosquito e tornando o cenário mais desafiador para as equipes responsáveis pelo controle das arboviroses.

Monitoramento contínuo passa a ser ainda mais importante

Com um comportamento climático cada vez menos previsível, o combate às arboviroses não pode depender apenas de ações concentradas em determinadas épocas do ano. O monitoramento contínuo do território permite identificar rapidamente mudanças nas áreas de risco, revisar prioridades e adaptar as estratégias de prevenção conforme o cenário evolui.

"A gente fala muito em prevenção, mas prevenir não é fazer sempre a mesma coisa. É entender como o território está se comportando naquele momento. O El Niño pode mudar esse cenário e, por isso, o monitoramento contínuo passa a ser essencial para que o município consiga adaptar suas ações e atuar antes que os casos aumentem", afirma Renato Mafra, diretor de operações do Techdengue.

Segundo o especialista, acompanhar continuamente as transformações do território permite que as equipes atuem de forma mais estratégica, antecipando riscos em vez de apenas reagirem ao aumento de casos.

Como a tecnologia pode apoiar esse planejamento

Independentemente do porte do município, acompanhar todo o território é um desafio para as equipes de vigilância. Em muitas cidades, o número reduzido de Agentes de Combate às Endemias (ACEs) faz com que o monitoramento dependa de um trabalho predominantemente manual, demorado e que nem sempre consegue alcançar todas as áreas com a frequência necessária. Quando o clima altera rapidamente as condições do ambiente, esse desafio se torna ainda maior.

Nesse contexto, ferramentas de inteligência territorial têm ampliado a capacidade operacional dos municípios. O uso de drones permite mapear grandes áreas em pouco tempo, gerando imagens de alta resolução que são analisadas para identificar possíveis criadouros e compreender como eles estão distribuídos pelo território.

Com essas informações, gestores podem direcionar as equipes para áreas prioritárias, otimizar o tempo de atuação em campo e atualizar continuamente o planejamento conforme o território se transforma. Dessa forma, a tecnologia não substitui o trabalho dos ACEs, mas amplia sua capacidade de atuação e torna as operações mais estratégicas.

Adaptação passa a ser parte da prevenção

À medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e alteram o comportamento do território, cresce também a necessidade de que as ações de combate às arboviroses sejam mais dinâmicas. Mais do que seguir um planejamento previamente definido, os municípios precisam acompanhar as mudanças do ambiente e adaptar suas estratégias sempre que necessário.

Essa capacidade de responder rapidamente às transformações do território contribui para tornar as ações de vigilância mais eficientes, otimizar recursos públicos e fortalecer a prevenção antes que os casos aumentem.

Sobre o Techdengue

O Techdengue é um programa de inteligência territorial voltado ao combate às arboviroses, que utiliza drones, geotecnologias e análises geográficas para apoiar a gestão pública. As operações permitem identificar possíveis criadouros do Aedes aegypti, gerar mapas, indicadores e análises do território para direcionar as equipes de campo às áreas prioritárias.

Presente em mais de 630 municípios brasileiros, o programa já mapeou mais de 260 mil hectares e identificou mais de 660 mil possíveis criadouros, apoiando gestores públicos na tomada de decisões mais rápidas, estratégicas e baseadas em informações atualizadas sobre o território.